Que me lembre nunca vi um filme como este: "O Inquilino" de Roman Polanski que ele próprio protagoniza. 
É inquietante, perturbador, assustador, e muito interessante...e muitas outras coisas.


Le locataire (1976)Roman Polanski

Um Polonês chamado Trelkovsky muda-se para um apartamento em Paris onde a antiga moradora se suicidou e tem inúmeros problemas com os vizinhos. Trelkovsky é um homem  frágil, vive em um universo louco, incoerente e incompreensível, e o filme é assustador e perturbador. Vai ás mais profundas raízes do ser humano e de como todas as coisas nos mudam. Várias coisas são retratadas na história, o principal é a desconstrução da personalidade. Não somos tão únicos como pensamos ser muitas vezes, e traumas profundos deixam personalidades arruinadas, devastadas, em pó, em osso só. Que vazio. Nós próprios não sabemos muito bem o que somos, e haverá então um duo, um oposto de nós mesmos assustadoramente próximo refundido nos labirintos da nossa mente.
 No filme acho que o duplo vence naquele momento em que a nova Simone Choule se olha ao espelho. E também porque o próprio Trelkovsky dá por si a viver a vida que não é sua, a ser invadido por uma identidade que não é a dele...

Le locataire (1976)Roman Polanski

E aquele momento memorável:
« Diz-me, em que preciso momento é que um individuo deixa de ser o que pensa que é?
Cortas-me o braço. Digo "Eu e o meu braço". Cortas-me o outro braço. Eu digo "Eu e os meus dois braços". Tu tiras-me o estômago, os rins, presumindo que isso era possível e eu digo "Eu e os meus intestinos". E, agora, se me cortares a cabeça, eu diria "Eu e a minha cabeça" ou " Eu e o meu corpo" Que direito tem a cabeça de se apelidar eu mesmo? »

A interpretação de Roman Polanski é quase perfeita.
Viva o cinema! Viva o Polanski, viva o Froid que se fosse vivo tinha muita coisa a dizer!

Sem comentários:

Enviar um comentário

--