gosto sempre de ir á janela

(…)levava a semana a acumular maçadorias, vulgaridades, substâncias tóxicas e outras impertinências, e depois chegava-lhe a tristeza à sexta-feira. Desabava o céu inteiro em cima dela. É o que dá ter tempo para pensar.
Estava farta de gente medíocre, conversas parvas, faltava-lhe a indulgência para com os pobres de espírito, também não era nenhuma Rainha Santa Isabel para andar a distribuir papos-secos aos indigentes…Que se lixem. Que se lixem todos.
Ana Margarida de Carvalho


Day in the Clouds by Samy Charnine

Art-Deco styled apartments in Albufeira, Faro, Algarve, Portugal
Photo by Allard Schager

Foi precisamente nesse momento que se me abriram outras perspectivas, um horizonte diverso. Num só instante, consegui ver tudo aquilo que poderia encontrar se te deixasse. Não sei como aconteceu. Foi como uma grande revelação, uma daquelas coisas que não se conseguem explicar, que nos devemos limitar a saber aceitar. Talvez eu tenha esta qualidade: quando vejo a vida oferecer-se-me de modo tão evidente, não lhe consigo dizer não. Parece fácil mas nem todos o sabem fazer. Sabes, os anos, o obscurecimento, o cansaço. Acaba-se por perder aquela lucidez que nos permite fazer a escolha certa quando a ocasião propícia se apresenta. É um instante, não dura mais do que isso e é necessário ter rapidez de espírito. Não digo que não se deva também reflectir, mas é preciso saber fazê-lo rapidamente.
Romana Petri

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