Eu.
Tirada e editada por Barbara

Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me pareceu deleitosa. Chegou até mim o cansaço dos sonhos...Tive ao senti-lo uma sensação extrema e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita. Transbordei de mim e não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me. Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sansações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até ás suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento. (...)
Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e mal onde penso em poder estar.
Bernardo Soares, Intervalo, 182

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