Acordar de manhã e olhar-me ao espelho. Ver-me ali, quieto, mudo, de gesto igual a todos os dias. A mesma imagem repetida, o mesmo rosto, a mesma face bucólica. Eu aqui, ainda eu, a passar as mãos por todo o corpo e a desejar-te neste suado reflexo. Quantas caras estranhas, quantos sorrisos benignos, quanto ânsia em te ter na palma desta mão onde agora escorre a herança de um sonho só meu. O futuro desfaz-se na água e não dentro de ti. O futuro foge-me, corre viscoso, libertino, devasso, por entre o pequeno ventre da minha banheira.
desconhecido

É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas a meu lado
Enquanto o medo vai dançando à nossa volta

Pluto

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