Tudo me interessa e nada me prende.
O livro do desassossego, Bernardo Soares
(…)

O que depois se passou iria apagar para sempre da minha memória a cor que deve-ria ter-me ficado pegada aos olhos para sempre, uma vez que aquele era nada mais nada menos que o meu primeiro balão em todos os seis ou sete anos que levava de vida. Íamos nós no Rossio, já de regresso a casa, eu impante como se conduzisse pelos ares, atado a um cordel, o mundo inteiro, quando, de repente,ouvi que alguém se ria nas minhas costas. Olhei e vi. O balão esvaziara-se, tinha vindo a arrastá-lo pelo chão sem me dar conta, era uma coisa suja, enrugada, informe, e dois homens que vinham atrás riam-se e apontavam-me com o dedo, a mim, naquela ocasião o mais ridículo dos espécimes humanos. Nem sequer chorei. Deixei cair o cordel, agarrei-me ao braço da minha mãe como se fosse uma tábua de salvação e continuei a andar.
Aquela coisa suja, enrugada e informe era realmente o mundo.

As Pequenas Memórias, José Saramago 

Dá-me a tua mão e vamos ser alguém, a vida é feita para nós.
Ornatos Violeta


As putas também amam.
Desconhecido


Jorge Palma (fins dos anos 70 ou inícios dos anos 80) a tocar no metro de Paris. 

1 comentário:

  1. "Dá-me a tua mão e vamos ser alguém, a vida é feita para nós."
    Ornatos Violeta

    :)

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