A photographer uses his own backdrop to mask Poland’s World War II ruins while shooting a portrait in Warsaw in November of 1946. 
(AP Photo/Michael Nash)

Naquele dia, deixou-se fascinar por veias. Veias e artérias. Pensou e admirou o seu crescimento, a forma ordeira como se espalhavam em silêncio debaixo da sua pele. Pequenos rios de sangue a crescer de acordo com as leis escondidas de uma orografia imparável; alimentando continentes, levando cheias de tempestade a terras sequiosas. A cada segundo, mais um milímetro de tubagem era construído com precisão e sem fadiga. Quem convencera o seu próprio organismo a alimentar assim o pequeno invasor? E onde estaria o projeto de uma tal empreitada? Como poderia, logo desde o início, aquela mão-cheia de células ambiciosas comandar um prodígio assim?
(in 18 Palavras Difíceis, de Luís Rainha, Tinta da China, 2012)

A soldier of East german grenztruppen lights a cigarette at the fall of Berlin wall, 1989-1990

 Behind the scenes of The Shining

 Behind the scenes of The Shining
Every Tom Hanks Movie in 7 Minutes
É um Senhor !!

Girl, Interrupted (1999) dir. James Mangold

René Burri: Picasso exhibition showing “Guernica," Palazzo reale, Milan, Italy, 1953

Nova Iorque
É muito grande, Nova Iorque. Por todo o lado há edifícios altos como casas sobre casas. É uma cidade excessiva e áspera, onde se encontram mais ângulos rectos do que em qualquer outro lugar. É também cheia de brilho e de ruído, de máquinas e corpos e milhões de verbos conjugados no presente. Uma cidade de aldeias empilhadas trazidas de longe, da Europa, de África, da Ásia, homens pobres e desesperados que dão a vida por pouco, que gastam os corpos pelas esquinas afiadas da cidade e à noite se deitam nas suas entranhas.
Quem acorda na cidade desculpa-se por ter dormido. Lá fora há já multidões que correm atrás de uma coisa qualquer que lhes diga que existem. O direito ao nome ganha-se a cada dia e não é certo, nada é certo nesta cidade. O tempo, o pouco tempo de alguns, é o avanço de quem chegou primeiro e não chega para terminar um cigarro.
Quem não sabe para onde ir vai indo sem saber para onde. A cidade empurra, a multidão empurra, a fome empurra, o desejo empurra. Quando alguém pergunta “quem és?” está na realidade a perguntar “o que fazes?”, a resposta deve ser rápida e sem hesitações, um verbo e um substantivo. Daí se escolhem afinidades ou a indiferença, nesta cidade um homem é uma máquina de fazer coisas, um verbo, uma função que prescinde de tudo o resto.

[in No meu peito não cabem pássaros, romance de estreia de Nuno Camarneiro, D. Quixote, 2011]

Break Through From Your Mold By Zenos Frudakis in Philadelphia, Pennsylvania, USA.

2015

Como é que te vou ouvir se és mudo? Não te preocupes; cá me arranjo. Aprendi a ouvir as palavras que não se dizem; e a ler as que se formam na cabeça e juramos não prenunciar. Imagina simplesmente que falas, e eu ouvir-te-ei. Pensa que falas, e falarás. Confias em mim?
(Testumunho de um judeu assasinado, Elie Wiesel)

Para onde vão os guarda-chuvas, Afonso Cruz
RanestRane - A Space Odyssey - STEVE ROTHERY

Eu não quero mudar o mundo. 
Não tenho tempo para isso. 
Quem quer mudar o lugar do mundo actua 
como quem muda o lugar de um móvel: 
empurra primeiro para um lado, 
foi força demais, 
empurra então para o outro lado, 
agora com força de menos, 
depois mais um pequeno toque para lá 
e um ainda mais pequeno toque para lá, 
e agora sim: 
o móvel está no lugar. 
Depois abrimos o móvel e vemos que os copos que estavam 
lá dentro se encontram todos partidos. Estão a ver?

Os copos todos partidos. Que aborrecimento. 
Não nos lembrámos da fragilidade do vidro.

Gonçalo M. Tavares (2002)

 Frans van tartwijk

Frans van tartwijk
A meu favor tenho o teu olhar 
testemunhando por mim 
perante juízes terríveis: 
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam 
à noite na solidão do quarto 
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim 
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar, 
dos demónios da noite e das aflições do dia, 
fala em voz alta, não deixes que adormeça, 
afasta de mim o pecado da infelicidade.
- Manuel António Pina

Kevin Sloan, The Sleep of Reason, acrylic on canvas, 54 x 48"

James Jean, Pagoda, spray paint, ink and acrylic on 84 wood panels, 112 x 192"
Sheikh Zayed Mosque, Abu Dhabi: Inlaid flowers wind across the mosque’s 183,000-square-foot marble courtyard.

Photograph by Dave Yoder, National Geographic


Palace of Versailles

 Palace of Versailles

palace of versailles


Versailles é uma loucura. Gostava de ter sido a Marie Antoinette!! AHAHAH
No século XXI, há uma doença que não ousa dizer o seu nome: a solidão. Hoje, solidão é sinônimo de revés amoroso, que por sua vez se tornou um estigma do insucesso - atualmente fracassar no amor é como estar desempregado. À noite, o solitário à mesa de um restaurante é um sem-abrigo, um intocável hindu, numa espécie de pelourinho. Perdoa-se tudo nesta sociedade permissiva, menos aquele que não é amado.
Paulo Nogueira, “O Suicida Feliz” (2003)


 Nicola Bealing

 Nicola Bealing


Fotografias de Stanley Kubrik, em 1946. Não havia smartphones, e as pessoas eram mais bonitas porque andavam de jornal na mão.


photograph: Stanley Kubrik, 1946


photograph: Stanley Kubrik, 1946
Tenho um professor que ao dar aulas é fascinante. É tão bom quando somos alunos. Observamos tudo. Não nos escapa nada. Este professor em particular, nesta altura do ano, fala em redes, satélites, planetas, animais, vida além deste nosso pequeno planeta..e muito mais. 

O interessante não é só a matéria que estamos a dar, é a maneira como ele fala, com tanto entusiasmo, com tanto gosto, com tanta esperança, com tão boa energia..

Enfim, era só para registar isto..tenho um prof com uma boa vibe


(RELAÇÃO ENTRE O) TELHADO E A DÚVIDA
Por mais andares que uma casa tenha termina sempre no telhado. É assim a vida do homem: por mais certezas que tenha, termina sempre na dúvida.
(Malgorzata Zajac)


Eu já não sou eu. Sou um fragmento de mim conservado
 num museu abandonado.
Carta a Armando Côrtes-Rodrigues  (19/11/1914), Fernando Pessoa
 Javier Pérez

  Javier Pérez
  Javier Pérez

(…) Canto em voz baixa: Mache dich, mein Herze, rein. Vibração da minha voz, batimento do teu sangue, agitação nos meus tímpanos cansados do dia. E do teu sono, que começa, sobe uma aura de calor. Contra o meu peito, sinto as tuas pulsações mais lentas: gestos, sonhos de sons e perfumes, o conhecimento do corpo – sem palavras. Afastas-te nesse mundo interior, que eu não conheço, ou que já conheci e esqueci.
A mim, a vigília. Narrativas, teorias. A andar no escuro, a pensar no trabalho e a lembrar tantas coisas, textos que não tenho tempo de escrever. Penso que gostaria de escrever sobre Bach, mas não sei como se escreve sobre Bach, ainda procurarei durante muitos anos. Penso no tempo. Penso na memória dolorosa das imagens. Penso na tua fragilidade, e no cerco do mundo; a tua respiração, e a violência que empurra os corpos até ao vazio. A tua fragilidade nas minhas mãos e o mundo lá fora contra nós.
Mas murmuro sempre, continuo a murmurar para ti, sempre, Mache dich, mein Herze, rein…, como se estas notas de música pudessem proteger-nos, esses pequenos sons, um pouco de calor entre os nossos corpos. Uma breve melodia, no meio da noite, tudo o que temos, tudo o que existe em nós.
(in Bach, de Pedro Eiras, Assírio & Alvim, 2014)

Bach: St. Matthew Passion