Investigar a partir de pontos conhecidos
Sobre este caminhar empurrado ou empurrando outros caminhares, outros raciocínios, wittgenstein fornece-nos uma imagem forte:
"É como se eu me tivesse perdido e perguntasse a alguém o caminho para casa. Ele diz que mo vai mostrar e acompanha-me ao longo de um caminho agradável e tranquilo. Este finda de repente. E então o meu amigo diz-me: " Agora, tudo o que tens de fazer é procurar o caminho para tua casa a partir daqui."
De certa maneira, a investigação que investiga conceitos é um pensamento que está perdido - há tanta coisa á nossa volta, tantos acontecimentos, livros, autores: porquê seleccionar uns e não outros? , porquê mais atenção a esta obra e não à outra do mesmo autor? , a este conceito, a esta frase e não a outra? , qual a razão, enfim, para se avançar por este e não por aquele lado?
Todo o investigador investiga porque está perdido e será mais sensato não ter a ilusão de que deixará de o estar. Deve, sim, no final da sua investigação, estar mais forte. Continua perdido, mas está perdido com mais armas, com mais argumentos. Como alguém que continua náufrago, mas que tem agora, contra as intempéries e os perigos, um refúgio mais eficaz.
Llansol:"tentar dizer o que uma coisa é, é viver."
pag.39
Gonçalo M. Tavares
ATLAS DO CORPO E DA IMAGINAÇÃO
O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade. É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada... alguma coisa não funciona. Talvez um dia!
José Saramago, in 'La Verdade (1994)'
time lapse, Roma
Shepherd’s Cave, Afghanistan
Photograph by Matthieu Paley, National Geographic
Bristol Bay, Alaska
Photograph by Michael Melford, National Geographic
Life in Costa Rica, 1981
Photograph by William Albert Allard, National Geographic
O que mais dói é a subfelicidade. A felicidade mais ou menos, a felicidade que não se faz felicidade, que fica sempre a meio de se ser. A quase felicidade. A subfelicidade não magoa – vai magoando; a subfelicidade não martiriza – vai martirizando. Não é intensa – mas é imensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar – mas em silêncio, em surdina, em anonimato. Como se não fosse. Mas é: a subfelicidade é. A subfelicidade faz-te ficar refém do que tens – mas nem assim te impede de te sentires apeado do que não tens e gostarias de ter. Do que está ali, sempre ali, sempre à mão de semear – e que, mesmo assim, nunca consegues tocar.
Pedro Chagas Freitas
Savoir Adore - Dreamers
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